Mestre Gil Velho faz um alerta aos Capoeiristas

Mestre Paulão Kikongo
De Mestre Paulão Kikongo agosto 23, 2007 23:56

Mestre Gil Velho faz um alerta aos Capoeiristas

Caros Camaradas da capoeira.

O ano de 2006 foi muito especial para capoeira, pois foi o ano do lançamento do Programa Capoeira Viva, marco do reconhecimento do trabalho que começou com dois grandes pioneiros do modelo de capoeira que se pratica nos dias atuais: Mestre Bimba na Bahia e Sinhozinho no Rio de Janeiro. Estilos e métodos diferentes, mas em comum o registro que na década de 30, do século XX ensinavam capoeira dentro de uma perspectiva que levaria ao estágio que hoje se encontra. Mestre Bimba, destaque maior, por ter seu método reconhecido como o inicio da capoeira atual.

A partir daí a capoeira começa a dar uma grande volta ao mundo. Inicia-se uma grande volta pelo Brasil, onde milhares de indivíduos vestiram a roupa da capoeira e como formiguinha foram andando e pregando a capoeira. Hoje estas formigas atravessaram fronteiras e estão no mundo todo. Através dos espaços-capoeiras, a capoeira apresenta diversos fragmentos da cultura existente no espaço brasileiro, sendo, hoje, provavelmente o canal de maior divulgação da cultura brasileira.

O Programa Capoeira Viva veio mostrar, o reconhecimento do Governo Brasileiro pelo serviço que a capoeira presta ao Brasil. Surgiu no espontâneo e numa criação constante de seu espaço de relação, pois está ainda em processo de construção de sua personalidade e com isto na busca de sua identidade e territorialidade.

Foi um sucesso. O programa foi desenvolvido através do Museu da República sob a Coordenação de Rui Pereira que conseguiu em três meses construir um programa adequado ao universo da capoeira.

Em 2005, o programa esbarrou em certas dificuldades de execução. E, assim foi até julho de 2006.

Desta forma, em sua primeira edição , em julho de 2006, o Ministério da Cultura recorreu ao Museu da República no Rio de Janeiro, para viabilizar o repasse dos recursos. Esta escolha foi um sucesso, tendo distribuído R$ 930.000,00 para instituições espalhadas por todo território nacional e R$ 270.000,00 como bolsa para 50 mestres notáveis da capoeira .

Atendeu a todos os níveis de capoeiristas, independentemente de seu nome ou grupo, priorizando a consistência da proposta e sua importância no contexto do espaço da capoeira no Brasil.

Foi distribuído da seguinte forma:

Categoria

Recursos

Projetos

Acervos Documentais

R$ 270.000,00

5 projetos

Incentivo a produção de pesquisa, inventários e documentação

R$ 360.000,00

23 projetos

Sócio-educativo

(Grupo informal)

R$ 75.000,00

15 projetos

Sócio educativo (ONGS)

R$ 225.000,00

15 projetos

Total

R$ 930.000,00

58 projetos

Além dessas, havia mais uma categoria incluída, mas que não recebeu recursos por ser constituída por entidades governamentais e por esta razão receberam certificado de qualificação sócio educativa.

Apesar do sucesso da 1ª edição sob a coordenação do Museu da República, o Programa em sua segunda edição inexplicavelmente foi transferido novamente para a Fundação Gregório de Matos , sendo que mais estranho ainda é o fato de que a Petrobrás, patrocinadora do programa, já depositou o recurso da segunda edição em janeiro de 2007.

A Fundação Gregório de Matos até o momento não deu sinal de ser a coordenadora do projeto, não lançou, como deveria , o edital para segunda edição, pois, abril seria o período do término da 1ª edição.

Em síntese, se não houver um movimento do mundo da capoeira, este recurso da capoeira nacional vai se perder por descontinuidade e todo o trabalho realizado será praticamente jogado fora. A credibilidade conquistada com a efetiva execução do projeto em 2006, poderá se transformar em desconfiança e descrédito para com as autoridades da cultura.

Vamos camaradas gritar, pois na primeira oportunidade que se dá a capoeira em um programa p
róprio puxam o nosso tapete. E ao puxá-lo permitimos que os excluídos, que continuam a fazer o trabalho de formiguinha construindo a identidade local da capoeira nos seus espaços vivenciais fiquem de novo de fora da ajuda governamental que tanto precisam.

Mestre Gil VELHO


Este artigo pertence ao Portal Capoeira do Rio.
Todos os direitos reservados.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.
Mestre Paulão Kikongo
De Mestre Paulão Kikongo agosto 23, 2007 23:56
Escreva um comentário

Sem comentários

Ainda sem comentários!

Deixe-me contar uma história triste! Ainda não há comentários, mas você pode ser o primeiro a comentar este artigo.

Escreva um comentário
Ver comentários

Escreva um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.
Campos obrigatórios são marcados*