Segue abaixo carta da Secretária municipal de cultura, Jandira Feghali dirigida à classe teatral do Rio de Janeiro:

Mestre Paulão Kikongo
De Mestre Paulão Kikongo janeiro 30, 2009 22:51

Segue abaixo carta da Secretária municipal de cultura, Jandira Feghali dirigida à classe teatral do Rio de Janeiro:

Amigos da classe teatral,
A reportagem publicada no último dia 28 de janeiro, quarta-feira, na capa do Segundo Caderno do jornal O Globo merece uma resposta para todos vocês. A começar pelo título: diante da pergunta "É o fim do feudo?", é imperioso responder que sim, o feudo está chegando ao fim. A era dos interesses privados, que se sobrepuseram aos públicos em muitos palcos desta cidade, está com os dias contados. Mas também é importante dizer que há incorreções bastante graves na reportagem, isso sem falar em algumas mentiras, que poderiam ser evitadas com uma apuração um pouco mais completa dos fatos. Peço a atenção de vocês para o esclarecimento ponto a ponto que faço nos próximos parágrafos. O Globo dá a entender que fomos lentos no contato com os diretores de teatro responsáveis pela rede municipal.

Não fomos. Esta é uma gestão pautada pela reflexão. Avaliamos cada teatro antes de tomar qualquer decisão. É verdade que  não me reuni pessoalmente com cada diretor, mas as equipes existem para que as tarefas sejam divididas. Justamente por confiar integralmente no time que montei para a Secretaria de Cultura, considerei bastante satisfatório que todos os diretores da rede fossem procurados pelos meus colaboradores – subsecretários e coordenadores de área – deste a fase de transição, antes mesmo que eu tomasse posse. Confio na minha equipe.

Vamos ao pontos, então:
SOBRE ANA LUISA LIMA: A coordenadora da Rede é produtora, sim, mas não há qualquer erro de currículo para o cargo administrativo que vai ocupar. Graduada em teatro pela UNI-Rio, ela já se desligou de sua empresa, a Sarau, justamente porque entendemos que as questões públicas não podem se misturar com as privadas, o que vem ocorrendo em muitos teatros da Prefeitura. Ana Luisa tem grande experiência na área teatral, ótimo trânsito com produtores, mas também com diretores e atores. Foi uma das fundadoras da APTR e é uma das autoras da Lei do Teatro, atualmente em trânsito no Senado Federal.

DIRETORES QUE ALEGAM NÃO TEREM SIDO PROCURADOS: Respondo por todas as questões da secretaria e já tinha agendado uma reunião com os diretores dos teatros para o dia 6 de fevereiro, muito antes de a reportagem ser publicada. Depois que minha equipe já tivesse avaliado as condições de cada um deles. ANA LUISA MANDOU UM E.MAIL PARA TODOS OS DIRETORES DA REDE os convidando para a minha posse, no dia 1 de janeiro, no Palácio da Cidade. E conversou com todos, indistintamente.

RIOFILME: Este é um dos pontos mais graves em termos de incorreção da matéria. A citada funcionária, Sônia Soares, NÃO é dos quadros da Riofilme. Nunca pertenceu aos quadros da autarquia, porque, FOI ALOCADA NA RIOFILME, IRREGULARMENTE, PELO EX-PREFEITO CESAR MAIA. O salário desta funcionária eram pagos diretamente pelo gabinete de Cesar. E foi ele mesmo quem a exonerou, sabendo desta irregularidade, no dia 31 de dezembro de 2008. Não temos nada a ver com esta dispensa. Mais uma vez, se o presidente da Riofilme tivesse sido ouvido, tudo teria sido esclarecido.

MOACIR CHAVES – Moacir Chaves MENTIU ao dizer que não foi procurado pessoalmente por nossa equipe. Ainda na transição, os  então colaboradores e hoje subscretários Randal Farah (Gestão) e Humberto Araújo (Democratização e Difusão Cultural) estiveram com Moacir no Teatro do Planetário e ficaram cientes de todos os problemas por que passava aquele palco. Já no cargo, Ana Luisa Lima fez uma visita ao Planetário, e só não esteve novamente com o diretor porque ele tem passado os dias de semana em São Paulo, onde ensaia um novo espetáculo. Se a repórter tivesse procurado Ana Luisa, isso teria sido esclarecido. Se eu mesma tivesse sido perguntada especificamente sobre isso, o mesmo aconteceria.

O CASO ZIEMBINSKY: Esta parte da reportagem também é realmente grave. O referido diretor do Ziembinsky só tem esta função desde dezembro de 2008. Antes disso, de acordo com nossa apuração, recebia, sem qualquer registro regular sobre isso, como curador, cargo para o que foi nomeado (verbalmente, jamais no papel) em outubro do mesmo ano. ATÉ DEZEMBRO, O DIRETOR OFICIAL DO ZIEMBINSKY ERA ROBERTO ALVIM, QUE MORAVA EM SÃO PAULO. Desde a entrada de Ana Luisa Lima, Carlos Augusto Nazareth demonstrou bastante ansiedade em relação às medidas tomadas. Trocou inúmeros e.mails com a gestora, que dedicou a tarde da última sexta-feira a uma reunião com ele. A ansiedade deste senhor foi tanta que ele enviou sua carta de demissão para a pessoa errada, já que os salários dos diretores são pagos por empresas terciarizadas. No caso dele, pela MGS Marketing e Eventos LTDA. De qualquer forma, diante de sua manifestação, já encaminhamos o caso.

CLAUDIO BOTELHO: O diretor do Carlos Gomes foi procurado diretamente por Ana Luisa Lima e trocou com ela uma série de e.mails, dos quais ela tem cópia. Na primeira visita ao Carlos Gomes não foi procurado porque a gestora queria avaliar questões administrativos, já que cada teatro, isto a reportagem também não esclarece para o grande público, tem um programador artístico, caso de Botelho, e ainda um administrador.

SOBRE OS 15% – Reter este valor nos teatros, formando a popular caixinha, é ilegal, que uma secretária não pode apoiar. Caso sejamos coniventes, corremos o risco de responder na justiça por isso. Sabemos que o modelo hoje vigente, de recolhimento do dinheiro ao Tesouro, também não é o mais eficiente, por ser moroso. E é por isso mesmo que estamos querendo formar o Fundo Municipal de Cultura retomar a Fundação Rio. Este último projeto já foi encaminhado ao prefeito Eduardo Paes.

PÚBLICO x PRIVADO: Sabemos que a responsabilidade pelo modelo hoje em vigor na Rede não é dos diretores, e sim da antiga Secretaria de Cultura (ou das Culturas, como queria meu antecessor). Mas alguns foram coniventes com a manutenção de feudos nos teatros, que frequentemente abrigavam uma sucessão de espetáculos dirigidos por seu próprio gestor. Tal situação é incongruente, porque o aparelho público não é um empresa privada. A reportagem nos acusa, ainda que não diretamente, de pouca rapidez na condução deste processo, mas "perdemos tempo" justamente analisando caso a caso e
estabelecendo um perfil para cada palco. Os novos responsáveis pela programação dos teatros serão nomeados nos próximos dias, de forma coerente com estes perfis. Estamos falando de um conceito para a programação e também de um procedimento padrão para os gestores, que não poderão mais decidir a pauta seguindo seus  interesses pessoais. Haverá um norte e certamente a classe teatral vai sentir a diferença e nossa tentativa de democratização e um novo  modelo de gestão. Conto com as sugestões de vocês nesta empreitada que será a nova gestão. Queremos um modelo novo de administração, que não privilegie apenas determinados grupos.

Um abraço,
Jandira Feghali
Secretária Municipal de Cultura

Fonte: Rede 3Setor em nome de mariozinho telles (mario@artes.com)


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Mestre Paulão Kikongo
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