Capoeira em embalagem de luxo

Mestre Paulão Kikongo
De Mestre Paulão Kikongo fevereiro 14, 2009 22:26

Capoeira em embalagem de luxo

Primeiro longa-metragem de João Daniel revela ao país a história do baiano Manuel Henrique Pereira, o Besouro Mangangá
Júlio Cavani // Diario
juliocavani.pe@diariosassociados.com.br

Com cenas de luta coreografadas pelo chinês Huen Chiu Ku (Kill Bill e O tigre e o dragão), co-produção de Daniel Filho (Seu eu fosse você, Globo Filmes etc), distribuição garantida pela Buena Vista (Disney) e direção de João Daniel Tikhomiroff (o mais premiado diretor de comerciais da América Latina), Besouro tem tudo para ser um dos próximos grandes sucessos do cinema nacional e finalmente levar a capoeira para as telas em embalagem de luxo. Rodado no fim de 2008 na Chapada Diamantina, na Bahia, o filme tem lançamento previsto para outubro deste ano. A Nação Zumbi e o Instituto são os responsáveis pela trilha sonora e fazem ainda os arranjos da música-tema, cantada por Gilberto Gil.

Apesar de não ser baseado em fatos reais, o longa-metragem é inspirado na história do baiano Manuel Henrique Pereira, conhecido como Besouro Mangangá ou Besouro Cordão de Ouro, o mais famoso capoeirista do Brasil, que morreu na década de 1920. "O projeto surgiu meiopor acaso, quando caiu em minhas mãos o livro Feijoada no paraíso, de Marco Carvalho", revela Tikhomiroff, em entrevista ao Diario, cedida por telefone.

Segundo o cineasta, "Bráulio Tavares escreveu a primeira versão do roteiro, depois modificado pela roteirista Patrícia Andrade, que trabalhou em 2 filhos de Francisco, e, em seguida, por mim. O resultado final tem bastante fantasia e é baseado principalmente em lendas, mas mantive o nome do personagem para homenagear a figura histórica".

"Não é um filme de artes marciais", adverte o diretor, "mas pode ser enquadrado no gênero de cinema de ação". Ele resolveu convidar Huen Chiu Ku porque "os chineses são os maiores especialistas em cenas de lutas corporais". O coreógrafo teve aulas com mestres de capoeira até chegar a um resultado que combina diversos estilos de golpes, aberto a liberdades poéticas, sem ser ortodoxo ou tradicionalista.

Besouro é interpretado por Ailton Santos, que na vida real é professor de capoeira, assim como outros atores do filme, submetidos a uma preparação de elenco coordenada por Fátima Toledo (Cidade de Deus, O céu de Suely). "Era melhor fazer capoeiristas profissionais atuarem do que convidar artistas famosos para aprender a lutar e ficar uma coisa desajeitada".

O vilão do filme, um jagunço que trabalha para um coronel que persegue os negros, é vivido pelo ator pernambucano Irandhir Santos, em uma interpretação carregada de raiva. Ele ficou famoso no papel de Quaderna, na microssérie A pedra do reino, mas também já trabalhou nos filmes Amigos de risco e Baixio das bestas. "É um dos melhores atores que eu já vi trabalhar e pode se transformar em um dos maiores do Brasil", elogia Tikhomiroff, que o compara a Heath Ledger em Batman: Cavaleiro das trevas.

Mais ou menos como ocorre em O tigre e o dragão, os personagens do filme desafiam a gravidade e parecem voar durante as lutas. Os atores dão grandes saltos, presos a cabos de aço, como pode ser percebido nas cenas que vazaram na internet. Além das imagens aéreas, as filmagens incluem ainda sequências submarinas, filmadas em lagos e grutas da Chapada Diamantina.

Besouro será o primeiro longa-metragem de João Daniel Tikhomiroff, que tem 30 anos de carreira e só havia dirigido um filme, na década de 1980 (nunca finalizado ou exibido). Ele é o diretor de comerciais brasileiro mais premiado no Festival de Cannes e foi o único latino-americano citado na lista dos melhores diretores de propaganda do mundo do livro The commercials book, ao lado de cineastas como Ridley Scott (Blade Runner) e Michel Gondry (Brilho eterno de uma mente sem lembranças).

Saiba mais
Manoel Henrique Pereira viveu entre 1897 e 1924 na região de Santo Amaro, na Bahia. Conhecido como Besouro Mangangá ou Besouro Cordão de Ouro, ele era trabalhador nas usinas e tinha um comportamento rebelde, pois não aceitava os maus tratos dos patrões. Ficou famoso por causa de sua habilidade como capoeirista. Com as pernas ou com objetos e facas, sempre conseguia sair vivo nos confrontos com a polícia e os jagunços.

Diversas lendas atribuem poderes sobrenaturais ao herói, que era abençoado por orixás e teria o corpo fechado e a habilidade de voar como um inseto. Sua história é contada no livro Feijoada no Paraíso: A saga de Besouro, o capoeira, de Marco Carvalho, e também foi adaptada para o teatro, em um musical com texto de Paulo César Pinheiro e direção de João das Neves.

O personagem também aparece em livros como Mar morto, de Jorge Amado. Manoel Henrique ainda era músico, autor dos versos do Canto do besouro, cuja letra foi aproveitada em duas canções dos compositores Noel Rosa e Paulo César Pinheiro(Quando eu morrer/ Não quero choro nem vela/ Quero uma fita amarela/ Gravada com o nome dela).

Foto: Paulo Mussoi/Divulgação

Fonte: Diário de Pernambuco


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