A Força da Nossa Capoeira

Por Paulo Henrique Menezes da Silva

(Mestre Paulão Kikongo)

A cada dia que passa me convenço ainda mais da força da nossa Capoeira. Seja nas rodas, na divulgação da cultura brasileira no Brasil e no exterior, seja com o trabalho dos profissionais da Capoeira, que, às vezes com muitas dificuldades, desenvolvem, pelo Brasil afora, um trabalho de inclusão social de crianças, adolescentes, adultos, pessoas da melhor idade e portadoras de deficiência.

Esta força tem sido mostrada ao longo de todos esses anos de existência dessa que é uma das grandes ferramentas que temos para a afirmação de nossa identidade cultural. As transformações porque passou e porque passa a nossa Capoeira nos últimos anos tem levado a sociedade brasileira, empresários e governos a olhá-la com “outros olhos”. 

Políticas públicas voltadas para a prática e divulgação de nossa Capoeira no Brasil e no exterior têm sido visíveis. Mas ainda assim tem sido muito pouco. Agora estamos tentando aprovar Projeto de Lei que regulamenta a Capoeira como profissão. Temos tentado, com os nossos recursos, com os nossos próprios meios, levantar uma discussão acerca desta profissionalização.

Criamos uma página no Facebook, um abaixo assinado online, mas, ainda assim, pouco se discutiu e muitos, diria, milhões ainda não assinaram o abaixo assinado pela nossa profissionalização.

Cadê a força de nossa categoria, cadê a força de nossa Capoeira? Será que só conseguimos nos reunir quando o berimbau toca? O que vemos hoje sobre esta discussão é como se fosse um toque de cavalaria: ao toque do berimbau, a nossa galera debanda. 

Precisamos urgentemente fazer uma reflexão do que queremos hoje e do que esperamos para amanhã em relação ao futuro de nossa arte. Será que teremos que presenciar a morte de muitos outros Mestres de Capoeira, muitos dos quais em situação de miséria absoluta, ou vamos nos unir para que o Estado brasileiro regularize esta que hoje, com certeza, influencia e muito no PIB da Cultura brasileira. Indústrias de confecção, gráficas, dentre outros seguimentos faturam muito com a prática de nossa Capoeira por todo o país. E quantos recebem os Profissionais da Capoeira pelos serviços que prestam à sociedade brasileira? Sinceramente não sei, mas não acredito que seja muito. 

Cadê a força da nossa Capoeira? Essa é a pergunta que deixo para a reflexão de nossos pares para o próximo ano que se aproxima. Perdemos Mestres Peixinho, Arthur Emídio, Vieira, Dentinho, João Pequeno, dentre outros… Quantos precisaremos perder mais?

Concluo registrando aqui mais uma ação que mostra a nossa força: Pedro Henrique Machado Palmeira, uma criança de onze anos de idade, moradora do Rio de Janeiro, que eu não conheço (mas gostaria muito de conhecê-lo) ficou em 1° lugar no Concurso do Dia das Crianças Carrefour. Sabe qual foi o desenho que ele fez? Uma Roda de Capoeira. Este desenho é o que ilustra este meu artigo. E aproveito para deixar aqui a nossa homenagem a este jovem que, do seu jeito, com a sua genialidade, levou seu nome e o nome de nossa Capoeira para as páginas dos principais jornais de nosso país.

Para nossos e nossas leitores (as) um NOVO ANO MUITO ABENÇOADO.

Mestre Paulão

 


Escreva um comentário e participe!

comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *