Mandinga em Manhattan é lançado em Salvador

O livro Mandinga em Manhattan, de Lucia Correia Lima, será lançado  o dia 14/12,  quarta feira, das 17 as 21 h no espaço Cultural A Boca, Rua dos Marchantes – Sai da Cruz do Pascoal no charmoso Santo Antônio Além do Carmo – Centro Histórico de Salvador Bahia.

Prefácio por Gustavo Falcon

Lúcia Correia Lima conhece por dentro o mundo da capoeira. Não é nenhuma ariokô. E tem intimidade com a sua técnica e sua linguagem. Está nisso desde muito, talvez há mais tempo mesmo que no jornalismo, meio onde se destacou com uma das principais profissionais da chamada imprensa alternativa do Brasil nos anos 70 e posteriormente como presença marcante no fotojornalismo baiano.

Nomes, fatos, testemunhos e muita informação sobre esse salto internacional da capoeira estão aqui devidamente documentados por Lúcia, de forma espontânea, quase ao modo de uma conversa na roda. Livre das amarras acadêmicas e entregue à sua lida de escuta, Lúcia se revela mandingueira antenada, pesquisadora determinada e dona de um estilo característico, muito de acordo, aliás, com sua própria personalidade.

Mais uma vez, as mulheres surpreendem refletindo sobre tema até há pouco fundamentalmente masculino. Isso mostra que a sensibilidade feminina contribui e muito para o exercício racional da reflexão. Essa é, em parte, a principal contribuição deste livro: a de trazer a público os seletos depoimentos daqueles que vivem na pele a experiência da mundialização da capoeira, desempenhando em outros países a sacerdotal missão do ensino, da formação de discípulos, do discurso gestual dos corpos em movimento que a todos seduz e encanta.

A originalidade deste livro reside no registro dessa diáspora às avessas e sem martírios. Orgulho dos baianos e brasileiros, a capoeira agora é que nem o samba e a bossa-nova, aliás, de raiz bem baiana, apesar da sua formação carioquíssima: um patrimônio mundial. Mandinga em Manhattan cristaliza esse fenômeno. Isso comprova que Lúcia sabe jogar. Então, viva a roda e viva-se a mandinga.

Conheça a autora

Maria Lucia Correia Lima de Souza nasceu em Salvador. Adolescente foi levada por colegas do movimento estudantil, para a escola de mestre Suassuna em São Paulo, seu “exilo”, com os pais militantes humanistas. Sua carreira na imprensa teve início no Departamento de Criação da revista REALIDADE, marco na imprensa brasileira. Quando, muito jovem, ganhou o prêmio Esso de Jornalismo, compondo a equipe da edição AMAZÔNIA.

Em seguida participou da revolucionária experiência do jornalismo independente, ganhadora do Esso de “Contribuição à Imprensa”, com a revista O Bondinho. Na mesma editora montou o laboratório da revista Fotografia, iniciada na famosa casa Fotótica.

De volta à Bahia atuou nos principais jornais de Salvador, e sucursais do sul do país. Pioneira repórter-fotográfica da Tribuna da Bahia, dirigida por João Ubaldo Ribeiro e o historiador Cid Teixeira.

No Caderno de Cultura do Correio da Bahia, escreveu e fotografou com o realismo dos grandes jornalistas e sensibilidade dos verdadeiros artistas. Optou novamente pelo fotojornalismo, na sucursal de O Globo e foi editora de fotografia do jornal Boca do Inferno, Prêmio Esso na categoria Regional.

Na década de 1990, se inscreveu no Centro Esportivo de Capoeira Angola Mestre João Pequeno, quando conviveu com o discípulo de mestre Pastinha, mantenedor da oralidade ancestral africana. Ali encontrou alunos de todos continentes e pensou no projeto deste livro, para desvendar os fatos, então, totalmente desconhecidos na Bahia e no Brasil: os caminhos da internacionalização da capoeira.

Livro com este tema era ideia extravagante. Foi realizado primeiro como documentário, Premio DOCTV, do Ministério da Cultura. Para aprofundar o tema foi selecionada pelo Capoeira Viva, com o mesmo título Mandinga em Manhattan,  criado por Lucia para homenagear mestre João Grande.

As entrevistas do vídeo trouxeram de volta a ideia do livro, enriquecido aqui com novas falas, novos personagens e nova edição das gravações. Mandinga em Manhattan–O livro é um olhar feminino sobre os caminhos pelo mundo, do encantamento e da contribuição brasileira para a cultura do corpo. É a luta-arte, o legado mais Internacional afro-brasileiro.

Com informações da autora


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