Capoeira de Luto: Morre Mestre Mendonça

Damionor Ribeiro de Mendonça (Mestre Mendonça) foi um dos principais nomes da Capoeira em todo Brasil.

Nascido no dia 16 de julho de 1932, em Aracaju – Sergipe, Mestre Mendonça além de grande expoente da Capoeira, foi autor, em 1967, do anteprojeto do Regulamento Nacional de Capoeira.

Este anteprojeto foi transformado em projeto e foi aprovado pela Confederação Carioca de Pugilismo. Foi através deste Regulamento que se efetuou a Classificação na Capoeira e os seus Cordéis.

Mestre Mendonça dedicou boa parte de suas atividades ao importante trabalho de estudo mais aprofundado da Capoeira e à preservação da memória e das raízes desta importante manifestação cultural e esportiva, tendo criado ainda, o Centro de Informação de Capoeira (CICAP), verdadeiro acervo constantemente atualizado sobre este assunto no Brasil e no exterior.
Além disso, Mestre Mendonça formou com dedicação, ao longo de sua vida e, em especial, no Rio de Janeiro inúmeros capoeiristas. Neste trabalho, vale ressaltar a preocupação de Mestre Mendonça em formar capoeiristas em sintonia com os princípios da Capoeira enquanto expressão de brasilidade, esporte e manifestação cultural.

Escreveu um livro com mais de 500 ditados populares em versos e rimas e os adaptou em musica de capoeira. É autor de mais de 120 músicas inéditas, incluindo as de São Bento, que são as mais cantadas em rodas.

Criou as “cantigas de roda na roda de capoeira”, que são músicas infantis com letras e fundamentos para a capoeira.

Recebeu da câmara Municipal do estado do Rio de Janeiro o título de cidadão Honorário do município do Rio de Janeiro e medalha de mérito Pedro Ernesto e, recebeu também, o título de cidadão do estado do Rio de Janeiro e a Medalha Tiradentes da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Essas honrarias lhes foram dadas por relevantes serviços prestados à capoeira.

E agora?

Com a sua morte no dia de hoje temos certeza que Mestre Mendonça deixou para as futuras gerações um grande legado, que, esperamos, seja aproveitado como referência cultural por todos e todas que admiram e vivem de e para a Capoeira no Brasil e no mundo.

Às vésperas de se completar 10 anos do reconhecimento do Ofício de Mestre de Capoeira como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil perdemos mais um de nossos patrimônios que ainda estava vivo. Até quando teremos que nos lamentar?


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