Cultura e Arte – Uma Alternativa ao Extermínio da Juventude Negra e o Fortalecimento de sua Identidade

Por Paulo Henrique Menezes da Silva

Mestre Paulão Kikongo

No dia 20 de maio de 2017, como parte das ações de reflexões sobre o Dia de Luta Contra o Racismo (13 de maio), participamos, a convite do Núcleo de Estudo e Pesquisa Etnicorracial Afrobrasileiro da Faculdade Gama e Souza – NEPEAB-FGS, da mesa de debates intitulada: Educação Escolar e Educação não Formal: Práticas Culturais Afrobrasileiras, como parte da programação do I Seminário de Estudos e Pesquisa Etnicorracial Afrobrasileiro. O Seminário, que contou com o apoio da Escola de Gestão Socioeducativa Paulo Freire e do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros do Departamento Geral de Ações Socioeducativas, aconteceu na unidade Olaria da Faculdade.

Professora Doutora Janaína Abdalla, Mestre Paulão Kikongo, Professor Doutorando André Porfiro, Professora Mestre Lívia Vidal e Alessandro Conceição, Professor de Teatro e Mestre em Relações Étnicos Raciais.
Professora Doutora Janaína Abdalla, Mestre Paulão Kikongo, Professor Doutorando André Porfiro, Professora Mestre Lívia Vidal e Alessandro Conceição, Professor de Teatro e Mestre em Relações Étnicos Raciais.

Nossa palestra foi sobre o tema Cultura e Arte – Uma Alternativa ao Extermínio da Juventude Negra e o Fortalecimento de sua Identidade, por acreditar que as ações de cultura e arte nas comunidades que tenham como foco a afirmação e o resgate dos laços históricos de crianças e adolescentes com as suas origens as leve a pensar em um novo horizonte para as suas vidas. Não podemos tratar quem vive nas comunidades apenas com os aparatos de segurança. Há direitos que precisam ser preservados e a atuação do poder público precisa apontar para esta direção. Tomamos como viés para a nossa palestra os direitos culturais previstos na Constituição Federal, no Estatuto da Igualdade Racial e no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Alunos e alunas da Faculdade Gama e Souza presentes assistindo a palestra.
Alunos e alunas da Faculdade Gama e Souza presentes assistindo a palestra.
Alunos e alunas da Faculdade Gama e Souza presentes assistindo a palestra.
Alunos e alunas da Faculdade Gama e Souza presentes assistindo a palestra.

Não podemos continuar achando que seja normal o assassinato de nossa juventude negra. Não podemos achar que seja normal a nossa juventude ser morta na porta da escola ou mesmo dentro dela. Entendemos que hoje há uma imensa inversão de valores e que toda a sociedade precisa se envolver em ações que una as comunidades e o asfalto. Precisamos acabar com os discursos rancorosos, como se vivêssemos em mundos diferentes. Hoje morrem pessoas inocentes de todos os lados. E isso quem perde é toda a sociedade. Precisamos de melhorias na educação, precisamos de ações de cultura, esporte e lazer nas comunidades, precisamos de qualificação de nossa juventude para o mercado de trabalho. Todos e todas nós precisamos fazer a nossa parte. Acreditamos que a capoeira, o hip hop, o funk, o samba, para citar apenas alguns, com ações direcionadas nessas comunidades podem influenciar positivamente junto à juventude local, tendo em vista estas ações serem de fácil aceitação por parte deles.

Oficina de Maculelê na Escola Municipal Ayrton Senna, Morro do Estado em Niterói.
Oficina de Maculelê na Escola Municipal Ayrton Senna, Morro do Estado em Niterói.

Em artigo no Jornal do Brasil (10/05), Monica Francisco, da Rede de Instituições do Borel disse que “impedir a arte e a cultura nas favelas é tão violento quanto os projéteis”. Segundo ela, “quando a única garantia de presença institucional nas comunidades e favelas do rio de Janeiro passa a ser atrelada à presença armada, ostensiva e produtora de iniquidades, é um triste sinal de que as políticas públicas estão extremamente equivocadas”. Ela disse, ainda, que “a ausência da arte, da literatura, das diversas culturas e da possibilidade da intensificação dos processos criativos e do direito à ludicidade é inaceitável”.

Oficina de Maculelê no Ciep Brizolão 444 - Israel Jacob Averbach, em Magé, RJ.
Oficina de Maculelê no Ciep Brizolão 444 – Israel Jacob Averbach, em Magé, RJ.

Portanto, o que queremos é menos violência e mais cultura e arte nas comunidades, pois, como diz a Constituição Federal em seu artigo 227: É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Portanto, que cada um de nós faça a sua parte.

Foto do slide: arte em arame feita por adolescente em cumprimento de medida socioeducativa.

Todas as fotos são do acervo pessoal de Mestre Paulão Kikongo.


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