A Capoeira “Universal”

Mestre Paulão Kikongo
De Mestre Paulão Kikongo agosto 17, 2017 14:46

A Capoeira “Universal”

Por Luiz Rufino* via Guest Post

O PRB, sigla partidária da Igreja Universal do Reino de Deus, criou no último dia 07 de agosto a “Frente Parlamentar em Defesa da Capoeira”, presidida pelo deputado Márcio Marinho do PRB-BA. O PRB é o mesmo partido que compunha a base do governo da presidenta Dilma Roussef e participou ativamente do golpe vampiresco, inclusive recentemente protagonizou a sua ação em bloco votando a favor do engavetamento das denúncias contra aquele que eu não pronunciarei o nome.

Aqui, nas bandas de São Sebastião do Rio Janeiro, cidade conhecida pela capoeira como movimento rebelde durante o século XIX e início do XX, o prefeito em exercício é do PRB, o Bispo da igreja Universal Marcelo Crivella. O Bispo, parceiro do vampirão e logo traíra do governo anterior, andou dando suas pernadas e mesmo com sua total ausência de axé (energia vital), acabou ganhando a simpatia de alguns capoeiristas.

Enquanto capoeira e pedagogo de ofício venho estabelecendo algumas reflexões e cantando a pedra de que a ânsia de dominação desse projeto de hegemonia não demoraria para bater no povo do jogo de vadiação. Mesmo muito dos camaradas não botando fé no papo, continuo a firmar uma das razões que fundamentam essa “casa de caboclo” armada por essa empreitada colonial. Ora camaradinhas, a capoeira é patrimônio da humanidade, uma das maiores difusoras da cultura afro-brasileira no mundo, maior difusora da língua portuguesa e uma verdadeira febre nas escolas, que inclusive mantêm a economia de subsistência de grande parte de seus praticantes.

A parada meus camaradas, é que a capoeira é educação parida por substanciais antirracistas/descoloniais, a capoeira é uma das grandes potências de reinvenção dos corpos e das subjetividades desmanteladas pela violência colonial, a capoeira é gramática inconformada e rebelde que aponta para possibilidades de transformação radical do mundo. Assim, em outros termos, blindar a capoeira é atacar diretamente aquilo que hoje cruza as escolas e revela outros contextos educativos formando crianças e jovens para compreender esse país como a nação escravista/colonial que é.

Como nada é tão simples assim, temos hoje um quantitativo significativo de capoeiristas que não percebem ou não querem perceber esses efeitos. Esses, que se silenciam diante dos atuais acontecimentos, são os catequizados pela bíblia e os catequizados pelo mercado, uma dobradinha que aqueles que almejam o poder desse país já conhecem bem.

*Doutor em educação pelo PROPED/UERJ (2017), mestre em educação (2013) e graduação em Pedagogia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2010). , atuando principalmente nos seguintes temas: conhecimentos, educações e linguagens outras. Crítica Decolonial, antirracismo, processos de formação em diferentes contextos educativos, processos identitários, outras pedagogias e educações nas culturas populares.

Foto: Maria Buzanovsky

Fonte: https://www.facebook.com/luiz.rufino.12

Mestre Paulão Kikongo
De Mestre Paulão Kikongo agosto 17, 2017 14:46
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